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Histórico do Movimento Círculista

O Movimento Circulista do Brasil teve seu início com a fundação do Círculo Operário Pelotense – COP, em 15 de março de 1932, pelo padre jesuíta Leopoldo Brentano, em resposta ao apelo do Papa Pio XI, o qual, um ano antes, havia publicado a Encíclica Quadragésimo Anno. Nesta encíclica, dada a público em comemoração aos 40 anos do lançamento da Encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, Pio XI atualiza a análise dos problemas sociais, advindos da Revolução Industrial do século 19, principalmente os relacionados ao mundo do trabalho e à questão do operariado. Na solução destes problemas, o Papa pede que a Igreja Católica participe ativamente, incentivando a fundação de associações cristãs de operários e na formação de suas lideranças.

No Brasil, os problemas sociais, principalmente no mundo do trabalho, estavam em forte efervescência durante a República Velha (1889-1930). Estes problemas começaram a ser enfrentados pelo Estado Novo (1930-1945), no governo de Getúlio Vargas, e pela Igreja Católica, com a fundação e atuação de associações católicas de operários, em especial, os Círculos Operários. A Igreja Católica, além de querer contribuir com o Estado na solução dos problemas sociais, principalmente do operariado, quis manter sob sua influência o mundo operário e evitar o domínio de ideologias materialistas (primordialmente o comunismo) neste ambiente.

Com o sucesso e a consolidação do Círculo Operário Pelotense, o Pe. Brentano foi chamado a Porto Alegre, para também ali criar um círculo operário. Isso aconteceu em 1934, quando, a 27 de janeiro, foi fundado o Círculo Operário Porto-Alegrense – COPA. Logo em seguida, neste mesmo ano, foram fundados mais 4 Círculos no interior do Estado: Carazinho (5 de maio), Cruz Alta (16 de setembro), Caxias do Sul (31 de outubro) e Santa Cruz do Sul (11 de dezembro).

Em 1935, mais 2 Círculos foram fundados em cidades do interior do Estado: Passo Fundo (14 de julho) e São Leopoldo (29 de julho). Também foram fundados dois círculos fora do Estado do Rio Grande do Sul: Joinville, SC (19 de março) e Aracaju, SE (11 de agosto).

Com 7 Círculos Operários em atividade no Estado, o Pe. Brentano convocou estes círculos para o I Congresso dos Círculos Operários do Rio Grande do Sul, o qual se realizou em Porto Alegre, em outubro de 1935. Nesse Congresso foi fundada, em 26 de outubro, a Federação dos Círculos Operários do Rio Grande do Sul – FCORS. Sua sede localizava-se numa dependência da sede do COPA, na Rua Sete de Setembro, nº 1142, no Centro de Porto Alegre.

O Movimento Circulista gaúcho continuou se expandindo, estando já em atividade 22 círculos em novembro de 1936, por ocasião da realização (de 12 a 15 de novembro), do II Congresso dos Círculos Operários do Rio Grande do Sul, em Santa Maria.

Também em outros estados brasileiros o projeto do Circulismo começou a interessar. Assim, em 1937, o Pe. Brentano foi chamado ao Rio de Janeiro (então Distrito Federal), para implantar o Circulismo em nível nacional. Ele deixou o Circulismo gaúcho em abril daquele ano, deixando em seu lugar o Pe. Ignacio Rafael Valle, jovem jesuíta, o qual passa a liderar o extraordinário desenvolvimento do Circulismo gaúcho nos anos seguintes.

No Distrito Federal, o Pe. Brentano, juntamente com vários líderes católicos do Centro Dom Vital, entre eles o célebre Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Ataíde, prepara o projeto do Circulismo em nível nacional. Este projeto começa a se concretizar com a realização do I Congresso Nacional das Organizações Operárias Católicas, em novembro deste ano de 1937, no Rio de Janeiro. Neste Congresso é fundada a Confederação Nacional de Operários Católicos – CNOC, em 8 de novembro.

A CNOC manteve esta designação até 1945, quando passou a chamar-se de Confederação Nacional dos Círculos Operários – CNCO. Houve nova mudança em 1965, ano do auge do Movimento Circulista no Brasil, quando passou a denominar-se de Confederação Brasileira de Trabalhadores Cristãos – CBTC. Esta designação perdurou até 1996, quando mudou o nome para Confederação Brasileira de Trabalhadores Circulistas, mantendo a sigla CBTC. Nova alteração está prevista para 2013, passando a denominar-se Confederação Brasileira de Círculos Operários – CBCO.

Desde a fundação do 1º Círculo, em 1932, até 1964, a principal atuação dos Círculos foi na assistência social aos operários, na defesa de seus direitos e interesses e na formação de sindicatos e de suas lideranças. Prestavam assistência aos operários filiados nos mais variados setores: saúde (assistência médica e odontológica, consultas, exames...), educação (creches, escolas do ensino fundamental, de alfabetização e de profissionalização, bibliotecas...), assistência jurídica, lazer (esportes, cinema e teatro), etc. Auxiliavam na criação de sindicatos de trabalhadores e na formação de suas lideranças. Eram órgãos consultivos do Ministério do Trabalho e prestavam assessoria em diversas instâncias governamentais. Constituíam uma força significativa na sociedade brasileira pela promoção humana no âmbito do trabalho e, dentro da Igreja Católica, desempenhavam um papel importante na defesa dos seus princípios e de oposição às ideologias marxistas e anarquistas.

No ano de 1964, o Movimento Circulista no Brasil chegava ao seu apogeu, quando contava com perto de 500 mil associados em mais de 400 Círculos espalhados por todo o Brasil. Havia Federações em 17 Estados. Mas, a partir de 1964, o Movimento Circulista entrou em acentuada decadência. Isso por muitos motivos, entre os quais podemos citar: certo envelhecimento de suas lideranças, afastamento do perigo comunista (pelo aniquilamento de suas forças na Revolução Militar de 64), criação do Instituto Nacional de Previdência Social – INPS (pelo qual o Governo Federal assumiu quase toda a Assistência Social no país) e, finalmente, o desinteresse e distanciamento da Igreja Católica (quando ela, pela CNBB, criou e deu total apoio às diversas Pastorais, entre as quais a Pastoral Operária, em detrimento do Movimento Circulista).

Como dissemos, o Circulismo Gaúcho teve notável desenvolvimento a partir de 1937, sob a liderança do Pe. Ignacio Valle. Quando ele assumiu como Assistente Eclesiástico da FCORS e do COPA, em inícios de 1937, havia 12 Círculos em funcionamento no Estado. De 1937 até 1964, mais 46 Círculos foram criados no Rio Grande do Sul, embora 7 deixassem de existir, atingindo, assim, o total de 51. Ainda sob a liderança do Pe. Valle, foi projetada pela FCORS a assim chamada Universidade do Trabalho - UT, consistindo num conjunto de escolas técnicas de nível médio, para formar mão de obra especializada no meio operário. Para concretizar este projeto, o Pe. Valle conseguiu do Governo do Estado um terreno de 38 hectares na região noroeste de Porto Alegre, hoje Bairro Humaitá. Depois de beneficiado, neste terreno, foi construída nele a primeira escola do projeto UT, a Escola de Eletrônica, que se desenvolveu muito bem a partir de 1972, ano da sua inauguração. As demais 3 escolas previstas no projeto original (Máquinas e Motores, Construção Civil e Metalurgia) não puderam ser construídas por falta de recursos. No entanto, a Escola de Eletrônica, denominada Escola Técnica Santo Inácio, foi ampliada, recebendo o Curso de Informática a partir da década de 90.

Após 1964, acompanhando a decadência nacional, tão somente 2 novos Círculos foram fundados no RS, mas deixaram de existir 15, subsistindo hoje ainda 38. Felizmente, nesta última década, os Círculos decidiram reverter este processo, procurando encontrar novos sentidos para o Movimento. A reversão mais decisiva, partindo da FCORS, começou com o Programa de Desenvolvimento Circulista – PDC, programa baseado nas grandes linhas do Desenvolvimento Local, do Trabalho em Rede e da Pedagogia de Projetos. O PDC abre novos sentidos e perspectivas para o Circulismo, não só no RS, como também nos demais estados onde existem Círculos Operários, já que foi aceito e aprovado como Tese, a ser assumida e implementada pelo Circulismo Brasileiro, no XIX Congresso Circulista Nacional, realizado em João Pessoa, na Paraíba, em 2008.

Também a partir de 2008 a FCORS pôde revigorar o PDC com uma atuação mais forte junto aos círculos filiados com a venda do seu maior patrimônio, o terreno da Escola Técnica Santo Inácio, o qual foi vendido para a Construtora OAS (em parceria com o Grêmio Futebol Porto Alegrense, para a construção da sua arena). Com os recursos advindos da venda do terreno, foi possível construir um novo prédio para a Escola Técnica Santo Inácio, na zona sul de Porto Alegre, com novas perspectivas para o desenvolvimento desta escola. Também os recursos da venda estão permitindo investimentos que gerem renda para o fortalecimento da atuação da FCORS para com os Círculos filiados no RS.